Uma lição para a professora


Faltavam dois anos para eu me tornar mãe quando recebi a maior lição de como criar filhos. Essa informação não veio de um livro da lista dos mais vendidos do New York Times, de um pediatra famoso nem de um pai experiente. Veio de um menino de 10 anos, filho de mãe viciada em drogas, com um plano de educação individualizada que tinha tantas páginas quanto uma enciclopédia – um menino com cicatrizes permanentes no braço esquerdo por causa de uma surra com um fio elétrico quando tinha 3 anos. Kyle* me ensinou a única coisa que eu realmente precisava saber sobre amar uma criança nas dificuldades da vida: estar presente.
Aceitei o cargo de professora de alunos de 6 a 12 anos com graves dificuldades de aprendizagem e comportamento, que tinham passagem por várias escolas. Até então nenhum programa do distrito conseguira atender às suas necessidades. Outra professora e eu tínhamos passado semanas ensinando às crianças o comportamento apropriado em público. Naquele dia específico, jogaríamos golfe em miniatura e almoçaríamos num restaurante. Milagrosamente, apenas alguns alunos, entre os quais Kyle, não tinham merecido o privilégio de ir. Ele estava decidido a fazer com que todos soubessem do seu desapontamento.
No corredor entre as salas de aula, Kyle começou a gritar, praguejar, cuspir e derrubar tudo o que estivesse ao seu alcance. Assim que a explosão passou, ele fez o que sempre fizera ao se zangar em todas as outras escolas, em casa e até, certa vez, num centro de detenção juvenil. Fugiu.
A multidão de espectadores que se reunira durante a cena observou com descrença Kyle atravessar correndo o intenso tráfego matutino diante da escola. Ouvi alguém gritar:
– Chamem a polícia!
Mas não consegui ficar ali parada. Corri atrás dele. Kyle era pelo menos um palmo e meio mais alto que eu. E veloz. Os irmãos mais velhos eram astros na pista de corrida da escola secundária vizinha. Mas eu calçara tênis para o passeio e era capaz de correr longas distâncias sem me cansar. Pelo menos conseguiria ficar de olho nele para ver se estava vivo.
Depois de vários quarteirões correndo no sentido contrário ao trânsito, Kyle desacelerou o ritmo. Embora ainda fosse cedo, o sol tropical atingia em cheio o asfalto negro. Ele dobrou à esquerda e começou a andar por uma galeria de lojas dilapidada. Ao lado de um compactador de lixo, Kyle abaixou o corpo, as mãos nos joelhos. Ofegava para recuperar o fôlego quando me viu. Eu devia estar ridícula: a frente da blusa encharcada de suor, o cabelo antes arrumado agora grudado no rosto corado como beterraba. Ele se levantou de repente como um animal assustado.
Mas o olhar não era de medo. Vi seu corpo relaxar. Ele não tentou correr de novo. Ficou ali parado e observou minha aproximação. Eu não fazia ideia do que diria ou faria, mas continuei chegando mais perto.
Nossos olhos não se desviaram e, do fundo do coração, enviei toda a minha compaixão e compreensão na direção dos seus olhos. Quando ele abriu a boca para falar, um carro de polícia parou de repente, preenchendo o espaço entre nós dois. O diretor da escola e um policial saíram do carro. Conversaram calmamente com Kyle, que entrou de boa vontade no banco de trás do veículo. Não consegui ouvir o que foi dito, mas não tirei os olhos do rosto de Kyle, nem quando eles se afastaram.
Kyle acabou voltando à escola, e logo notei que, quando podia escolher o professor com quem deveria trabalhar ou que precisaria acompanhá-lo em aulas especiais, ele me escolhia.
Certo dia, Kyle segurou a minha mão inesperadamente. Não era comum que um garoto da sua idade e do seu tamanho pegasse a mão da professora, mas eu sabia que devia me comportar como se fosse a coisa mais normal do mundo. Ele se inclinou para a frente e disse baixinho algo que nunca esquecerei. “Dona Rachel, amo a senhora”, sussurrou. “Eu nunca disse isso a ninguém.”
Parte de mim queria perguntar: “Por que eu?” Mas simplesmente apreciei o momento, uma mudança inimaginável para uma criança cuja ficha continha as seguintes palavras: “Incapaz de exprimir amor e de manter relações afetivas com outros seres humanos.”
A situação mudou no dia em que ele fugiu e corri atrás dele, embora eu não tivesse as palavras certas, nem tivesse conseguido salvá-lo da encrenca em que se metera. Foi o dia em que não desisti, em que decidi não pensar simplesmente que ele era rápido demais, que era perda de tempo e esforço, que era uma causa perdida. Foi o dia em que o mero estar presente bastou para fazer uma profunda diferença.
A escritora e palestrante Rachel Macy Stafford mora no Alabama, Estados Unidos, com o marido e as duas filhas.
- Fonte: http://www.selecoes.com.br/uma-licao-para-a-professora#sthash.xiiDbJyY.dpuf

Falta de dinheiro para financiamento da educação...

Por que não temos dinheiro para custear a Educação e um salário digno para professores em nosso país?
Aqui está um dos motivos:

As dez carreiras com maior perda salarial no Brasil

As dez carreiras com maior perda salarial no Brasil


Leia matéria publica na revista Veja sobre a desvalorização salarial de algumas carreiras no Brasil.

Clique aqui para acessar o site.

Teste: descubra as carreiras que têm mais a ver com você

De autoria da orientadora Maria da Luz Calegari, o questionário revela o temperamento dos participantes — e as profissões afinadas com seu perfil


Educação
Educação (Thinstock)
A pedido de VEJA.com, a orientadora de carreiras Maria da Luz Calegari desenvolveu um teste vocacional que pretende ajudar vestibulandos e também profissionais em atividade a escolher seu futuro. O questionário com 25 perguntas explora preferências, habilidades e objetivos e, por fim, aponta qual grupo de profissões é mais adequado a cada perfil.
De acordo com suas respostas, os participantes podem ser classificados em quatro tipos de perfis, definidos pelo temperamento. São tipos psicológicos marcados pelo conjunto de características pessoais: idealista, cerebral, guardião e hedonista. "O teste serve como um passo preliminar", diz a orientadora, em entrevista ao site de VEJA. "O ideal é respondê-lo e, em seguida, buscar aconselhamento personalizado, o que permite conhecer com quais áreas ou profissões o orientando se identifica mais."

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Professor lança coletânea de contos na Livraria Cultura

Professor lança coletânea de contos na Livraria Cultura

O professor Wagner Lemos lança o livro Superquadra (306 N) Coletânea de Contos Mínimos no dia 13 de julho, às 15h, na Livraria Cultura (Iguatemi Shopping). A obra busca resgatar memórias de Brasília com ênfase no universo infanto-juvenil dos ex-moradores da 306 Norte. O evento contará com a participação especial do Grupo Cordas Vivas Acoustic Guitars, liderado pelo Professor George Mizuta (CRE Planaltina), que trará sucessos nacionais e internacionais dos anos 70, 80 e 90.  

Clique aqui para ver o convite do evento.

Os fatores que levam ao desinteresse pelo magistério

Os fatores que levam ao desinteresse pelo magistério


Um estudo da pesquisadora Luciana Leme, da Universidade de São Paulo (USP), chamou a atenção para o estágio atual da desvalorização do magistério no país. Segundo a pesquisa, cerca de metade dos alunos de Licenciatura nas áreas de Física e Matemática da instituição não pretende ou tem dúvidas quanto a seguir a carreira de professor da educação básica.
10 PASSOS PARA INOVAR NO ENSINO E NO APRENDIZADO

Em seu clássico On the Road, Jack Kerouac dizia gostar das pessoas que queimam como fogos de artifício. Hoje, o que não falta são jovens com a cabeça em ebulição de tantas ideias. E nem sempre são ideias simples. Muitos destes “pequenos” idealistas querem desenvolver projetos que, além de ser a base para a carreira que pretendem seguir, podem mudar o mundo. Para ajudar esses jovens a inovar, o educador e empreendedor dinamarquês Nikolai Seest já realizou mentorias em mais de 300 projetos de negócios criativos em seu país e também no exterior, como foi o caso Yes!, na Groelândia, que reúne um grupo de jovens empreendedores para, em 2 anos de formação, resolver problemas culturais, econômicas e ambientais do meio em que vivem.

Câmara aprova criação do Dia Nacional da Matemática

O Plenário aprovou nesta quarta-feira (5) emenda do Senado ao Projeto de Lei 3482/04, da ex-deputada Professora Raquel Teixeira, que cria o Dia Nacional da Matemática, a ser comemorado em 6 de maio. A matéria será enviada à sanção presidencial.
A data marca o nascimento do matemático, educador e escritor brasileiro Malba Tahan (1895-1974). Seu livro mais famoso é O Homem que Calculava.
A emenda do Senado retira dos ministérios da Educação e da Cultura a atribuição remetida ao Poder Executivo de incentivar a promoção de atividades educativas e culturais alusivas à data.
Pseudônimo árabe
Malba Tahan é o pseudônimo de Júlio César de Mello e Souza, que nasceu em dia 6 de maio de 1895 na cidade de Queluz (SP).
Ele foi crítico do ensino exclusivamente expositivo e criou uma didática própria até hoje viva e respeitada.
Para lançar-se como escritor, Mello e Souza resolveu criar uma figura exótica e estrangeira e fazer-se passar como tradutor dos seus contos e livros. O nome Malba Tahan foi escolhido devido à sua paixão pela cultura árabe, cuja língua estudou e que tem tradição na matemática.